11 de mai de 2009

Cenas cotidianas - O cigarro


Há algo no cigarro que não sei definir. O deslumbramento que ele causa aos jovens, mais particularmente entre 15 e 20 anos, é um mistério. Vejo meninos e meninas em todos os lugares dançando, paquerando, conversando. Mas há algo que minha pouca experiência noturna estranha, há algo entre seus dedos, há algo que está em desarmonia com todo o conjunto, com as roupas bonitas, com o perfume dos cabelos, com os sorrisos, com as conversas. Há aquele mistério que preenche um vazio, um vazio triste e sombrio que cada um carrega dentro de si. O cigarro é a desarmonia que cada um quer esconder e, por isso, ele é um mistério. Ele é o inimigo silencioso, o desequilíbrio de toda uma construção milimetricamente construída, ele é o que todo mundo esconde em seu “eu” mais profundo. Ele é todo um mistério por si só. O cigarro. Ele não tem dono, não tem fim, não tem sequer motivo. Ele não mata, o que mata é a razão de ele estar ali, apoiado naqueles dedos pouco firmes, na tentativa de o dono preencher alguma parte que falta nele mesmo. O cigarro está fora da foto, está fora de foco, está fora do tudo. E ele continua sendo um mistério, para fumantes e não-fumantes.

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