31 de mar de 2010

Mãe






Dizer essa palavra é mergulhar no infinito. É percorrer por entre as origens do ser. Na verdade, o cordão umbilical nunca deveria ser cortado. Na verdade, não, minto. Ele nunca o é. Há algo na palavra "mãe" que não sei explicar. Quando a digo ou quando a ouço, me vêm à cabeça idéias como carinho, proteção, cuidado. Mas há uma em especial, uma que se resume tudo apenas em: ligação. E, entre tudo o que poderia ser imaginado, eu penso apenas no tal do cordão umbilical. Pelo que sei, é dele que o feto recebe os nutrientes necessários para viver. Mas não consigo vê-lo dessa forma tão "biológica". E, ao pensar em tudo isso, percebo que recebo ainda os tais nutrientes necessários para viver. Sem o apego, sem o amor, sem os conselhos, sem a força de minha mãe, o que seria de mim? Morreria sem seu abraço, adoeceria sem seu carinho e não existiria sem a ligação "mãe e filha". Portanto, convenhamos, é justo e racional duvidar do corte do cordão. Há uma ligação que transcende todo o procedimento medicinal no momento do parto. E, te digo com toda a certeza, nem o médico, nem ninguém é capaz de destruí-la. Acredito na permanência do cordão. E há os que me acham louca, desvairada, desinformada. Não me importo. Porque ainda o sinto aqui. Me sinto ainda recebendo os nutrientes de minha mãe. Me sinto crescer aos poucos, mas ainda me sinto naquela barriga. Me sinto protegida, amada. Se me sinto fraca, ganho força de seu olhar. Se me sinto triste ou desolada, encontro esperança em suas palavras. Ou até mesmo em seu silêncio. Quem possui a ligação da qual falo não precisa tanto assim das palavras. O silêncio, o gesto, o olhar bastam. E, se algum dia, alguém me perguntar se estou só, poderei ter a completa convicção de dizer que "não". E direi simplesmente: "sei que meu cordão umbilical não foi cortado, e me basta saber que minha mãe está lá do outro lado, e sempre estará". E, com um sorriso gentil nos lábios e uma enorme paz no coração, irei embora, com a esperança de que um dia essa pessoa sinta o mesmo, até sem saber o porquê.

"Você pode sentir?"

Por Livia Teixeira Leal.

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