16 de jun de 2010

Doutores da Alegria - O engraçado é que é sério.


Sempre que vejo o documentário dos Doutores da Alegria, sinto uma coisa boa que não sei explicar. É como se eles tivessem o dom de tocar quem está assistindo da mesma forma que tocam os pacientes com quem se relacionam. E é como se eles conseguissem buscar o mais puro e simples que há dentro da gente. Como um verdadeiro palhaço.
Longe das amarras sociais, do aprisionamento a que nós mesmos nos submetemos. Como é difícil ser hoje em dia. Somos alguma coisa que criaram em nós, somos uma imagem que desejamos passar, somos a boa aparência, a lucidez, a normalidade, o comum. Deixamos de ser nós mesmos para sermos alguém que vive "em paz" nesse mundo. Mas que paz é essa? A que preço obtemos essa "paz"? Abdicamos de nós mesmos para vivermos em uma lucidez criada por alguém, que não faço a mínima ideia de quem seja. Retiramos muito da nossa individualidade, da nossa pureza, para convivermos. E o que é mais espantoso: essa convivência não se torna menos conflituosa com essa abdicação. Quando retiramos nossa loucura, nossa espontaneidade, o que fica é algo meio sem rosto, meio igual a tudo, meio igual a nada. Sim, estou incluída nisso também, mas é algo que me incomoda diariamente, que me faz querer ser, sem medo ou receio do que possa acontecer. No entanto, confesso que é preciso coragem, é necessária uma boa dose de coragem pra colocar a cara a tapa e mostrar que podemos ser sim, e não há quem impeça. Liberdade é isso. É abrir o coração sem medo, é ser mesmo ridículo, é não ter lógica, malícia, vaidade, receio. É ser um palhaço, um crítico social, cuja crítica consiste no fato de que não deve existir crítica alguma. É olhar pro outro e aceitá-lo completamente e ser também aceito.
Isso tudo pode parecer utópico, e eu até que estava me virando (bem?) sem a utopia. Mas um amigo meu essa semana me fez refletir sobre algumas coisas e teve a sensibilidade de me tocar com seu próprio sentimento. É realmente bom conviver com pessoas que exalam sentimento. Dessas opto por não me afastar nunca. Bem, o fato é que ele me mostrou a seguinte frase:

"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar."

(Eduardo Galeano)


Posso ser apenas mais uma sonhadora. Sim, são tempos difíceis para os sonhadores. Para mim também, não somente para você, cara Amelie. Mas eu sei que vai valer a pena. E isso basta.


Não deixe de conhecer esse trabalho fabuloso que os Doutores da Alegria realizam em diversos hospitais do Brasil. O site dos Doutores é: http://www.doutoresdaalegria.org.br/.

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