28 de jul de 2010

Desafeto - Marla de Queiroz

Não quero mais o beijo molhado, o derretimento castanho dos olhos, o sorriso sacana. Não creio mais em tardes febris ou saudades desesperadas. Tudo é verbo, verso, papo furado. Tudo pode ser rasgado, cuspido, jogado no lixo. Obra prima perdida em rasuras. Poesia sem calor de corpo. Paixão destituída de loucura. Fogo morto.

Não quero mais o encaixe de tudo, o perfume da pele, a carícia dos dedos. Não creio mais em noites acesas, em madrugadas intensas, em manhãs de luxúria. Tudo é fome e desejo de saciedade. Tudo é espera por novidades. Displicência de afetos, perda de tempo, sexo sem vontade.

Não quero mais sensações de eternidade, abraços pra sempre, sussurros de amor. Creio em frases desacompanhadas, em palavras cruas, textos sem autor. Tudo é falta de comprometimento, tudo é vácuo, vazio, relento. Tudo é falta de rumo, um peito apertado, tristeza sem dor...




Acho que meu momento foi lido por uma desconhecida...

Fonte: http://doidademarluquices.blogspot.com/2010/06/desafeto.html

3 comentários:

Cecília disse...

É mesmo, é, Livia? Eu sou suspeita. Apesar de estar vivendo um momento parecido, minhas madrugadas às vezes são invadidas pela saudade daquele aperto eterno, do beijo eterno, do abraço eterno e, com tanta memória inesquecível nessa vida, fica difícil não acreditar na eternidade...

Cecília disse...

É mesmo, é, Livia? Eu sou suspeita. Apesar de estar vivendo um momento parecido, minhas madrugadas às vezes são invadidas pela saudade daquele aperto eterno, do beijo eterno, do abraço eterno e, com tanta memória inesquecível nessa vida, fica difícil não acreditar na eternidade...

Jessica disse...

esse texto me deixou triste...
eu tenho medo de um dia não acreditar em mais nada disso...são coisas tão boas =(