28 de jun de 2013

Sparky




Ele foi reprovado em todas as matérias na sétima série. Foi reprovado em física no científico, com nota zero. Sparky também foi reprovado em latim, em álgebra e em inglês. Nos esportes, ele não foi nada melhor. Conseguiu entrar para o time de golfe da escola, mas perdeu o único jogo importante da temporada. Quando promoveram um jogo de consolação, ele também perdeu. Durante todo o tempo na escola, Sparky teve problemas com sociabilidade. Os outros alunos nem chegavam a não gostar dele, porque ninguém lhe dava importância suficiente para isso. Se algum colega lhe cumprimentasse, fora do horário de aula, era uma surpresa para Sparky. É como se ele não existisse. Não se sabe como foi sua vida sentimental, mas ele nunca convidou uma garota para sair, durante todo seu tempo na escola. Tinha medo de ser rejeitado.
Ele era um perdedor. Todo mundo sabia disso. Até ele mesmo. Mas havia uma coisa muito importante para ele: desenhar. Seus desenhos eram seu orgulho.
Certo é que ninguém, além dele mesmo, gostava dos desenhos. No último ano do científico, ele ofereceu alguns quadrinhos para os organizadores do livro de formatura. Os quadrinhos foram rejeitados. Mas Sparky estava convencido de seu talento e resolveu se tornar um artista profissional. Escreveu uma carta para os estúdios Walt Disney. Pediram que mandasse umas amostras do seu trabalho e sugeriram um tema para ele desenvolver. Ele desenhou os quadrinhos propostos. Trabalhou durante largo tempo. Esmerou-se tanto que acrescentou uma série de outros quadrinhos, além dos solicitados. Finalmente, quando recebeu a resposta dos estúdios Disney, descobriu que fora rejeitado. Mais uma derrota para o perdedor.
Ele decidiu, então, escrever sua própria biografia em quadrinhos. Descreveu a si mesmo quando criança – um garoto perdedor e que nunca conseguia se sobressair. Logo, o personagem de quadrinhos se tornaria famoso no mundo todo. Isto porque Sparky, o garoto para quem tudo dava errado, cujo trabalho fora rejeitado vezes sem conta, era Charlie Schulz.
Isso mesmo: o criador da tira Peanuts, do cachorro Snoopy e do pequeno personagem Charlie Brown. Um garotinho cuja pipa nunca voava e que nunca conseguia chutar uma bola de futebol.

21 de jun de 2013




“Arthur Mendelson: Quantos dedos você vê?
Patch Adams: Quatro.
Arthur Mendelson: Não, não! Olhe além dos dedos! Agora me diga, quantos você vê?…
Arthur Mendelson: Você está focando no problema. Se focar no problema, não conseguirá ver a solução! Nunca foque no problema! Quantos você vê?
Arthur Mendelson: Olhe além dos dedos!
Patch Adams: …… oito!
Arthur Mendelson: Oito! Oito! Isso! Oito é uma boa resposta! Veja o que ninguém mais vê! Veja o que todos os outros escolhem não ver… sem medo, conformismo ou preguiça. Veja um mundo todo novo a cada novo dia!”
"Caí em meu patético período de desligamento. Muitas vezes, diante de seres humanos bons e maus igualmente, meus sentidos simplesmente se desligam, se cansam, eu desisto. Sou educado. Balanço a cabeça. Finjo entender, porque não quero magoar ninguém (...) Tentando ser bom com os outros, muitas vezes tenho a alma reduzida a uma espécie de pasta espiritual. Eu escuto. Eu respondo. E eles são broncos demais para perceber que não estou mais ali."

Charles Bukowski