2 de ago de 2010

“Cada um escolhe a vida que quer levar” - Livia Leal

E vocês armam seus esquemas ilusórios
Continuam só fingindo que o mundo ninguém fez
Mas acontece que tudo tem começo
Se começa um dia acaba, eu tenho pena de vocês


(Fátima - Capital Inicial)



Tudo era ilusão naquela vida de momentos finitos e sensações passageiras. Tudo que havia se resumia em um vazio sem destino, um oco nada, um abismo sem fim. Era preciso mudar? Na espera sufocante, aguardava um livro capaz de mudar sua vida, uma música que a fizesse dançar na Lua, um suspiro de amor, o frio na barriga, o medo aterrorizante... Queria de volta a dor de sentir, o sofrer que provoca a pulsação, o suor frio da angústia e do incontrolável desejar. Afinal, de que valeria a vida sem isso? Era preciso mudar, sim. Era preciso valorizar, nadar contra a corrente, insistir no terrível sofrimento de ser. Era necessário resgatar o que havia sido deixado para trás. “Cada um escolhe a vida que quer levar”. Ela escolheria agora o caminho mais íngreme, mas que lhe renderia aquele sopro de vida que faltava, a música, a dança, o sentimento, e - por que não?- o amor. Deixava de engolir sua existência, para, então, aprender a saboreá-la.

Um comentário:

Jessica disse...

gostei...viver é bom, se anestesiar é ruim...tem que viver mesmo, e sentir.