20 de dez de 2008

O Grande Ditador - Charles Chaplin

Charles Chaplin como Hynkel.



Adolf Hitler.





Título Original: The Great Dictator / The Dictator
Gênero: Comédia
Origem/Ano: EUA/1940
Duração: 128 min
Direção: Charles Chaplin



Mais uma obra prima de Chaplin. O filme consegue reproduzir o ambiente de discriminação criado por Hitler na Alemanha, criticando o regime nazista de forma irônica e bastante cômica. O discurso final fecha com chave de ouro, ressaltando a esperança e mostrando a todos a irracionalidade daquelas medidas. Mais uma demonstração da genialidade e da sensibilidade de Chaplin. Imperdível.

29 de nov de 2008

Bezerra de Menezes.


Conta-se que Bezerra de Menezes orientava, no Rio, uma reunião de estudos espíritas, com a palavra livre, para todos os participantes, quando, após comentários diversos, perguntou se mais alguém desejava usar a palavra com relação aos temas da noite. Foi então, que renomado materialista seu amigo pessoal lhe dirigiu veemente provocação: Bezerra, continuo ateu e, não só por meus colegas mas também por mim, venho convidá-lo para um debate público, a fim de provarmos a indestrutibilidade do Materialismo contra as pretensões do Espiritismo. E previno a você que o Materialismo já levantou extensa lista de médiuns fraudulentos; de chamados sensitivos que reconheceram seus próprios erros e desertaram das fileiras espíritas; dos que largaram em tempo o suposto desenvolvimento das forças psíquicas e fizeram declarações, quanto à s mentiras piedosas de que se viram envoltos; dos ilusionistas que operam em nome de poderes imaginários da mente; nomes de experimentadores que demonstraram inexistência da comunicação com os mortos; dos observadores desencarnados de qualquer testemunhos da sobrevivência; e, dos estudiosos ludibriados por vasta súcia de espertalhões. Esperamos que você e os espíritas aceitem o repto, o desafio.”

Bezerra concentrou-se em prece alguns instantes, e, em seguida, respondeu, aliando energia e brandura: Aceitamos o desafio, mas traga também ao debate aqueles que o Materialismo tenha socorrido no mundo; os malfeitores que ele tenha regenerado para a dignidade humana; os infelizes aos quais haja devolvido o ânimo de viver; os doentes da alma que tenha arrebatado às fronteiras da loucura; as vítimas de tentações escabrosas que haja restituído a paz do coração; as mulheres infortunadas que terá arrancado do desequilíbrio; os irmã os desditosos de quem a morte roubou os entes mais caros, a cujo sentimento enregelado na dor terá estendido o calor da esperança; as viúvas e os órfãos cujas energias terá escorado para não desfalecerem de saudades, ante as cinzas do túmulo; os caluniados aos quais terá ensinado o perdão das afrontas; os que foram prejudicados por atos de selvageria social mascarados de legalidade, a quem haverá proporcionado sustentação para que olvidem os ultrajes recebidos; os acusados injustamente, de cujo espírito rebelado terá subtraí do o fel da revolta, substituindo-o pelo bálsamo da tolerância;os companheiros da Humanidade que vieram do berço cegos ou mutilados, enfermos ou paralíticos, aos quais terá tranqüilizado com os princípios da justiça; os pais incompreendidos a quem deu forças e compreensão para abençoarem os filhos ingratos e os filhos abandonados por aqueles mesmos que lhe deram a existência, aos quais auxiliou para continuarem honrando e amando os pais insensíveis que os atiraram em desprezo e desvalimento; os tristes que haja imunizado contra o suicídio; os que foram perseguidos sem causa aparente, cujo pranto terá enxugado nas longas noites de solidão e vigília, afastando-os da vingança e da criminalidade; os caídos de todas as procedências, a cujo martírio tenha ofertado apoio para que se levantem...

Nesse ponto da resposta, o velho lidador fez uma pausa, limpou as lágrimas que lhe deslizavam no rosto e terminou: Ah! Meu amigo, meu amigo... Se vocês puderem trazer um só desventurado do mundo, a quem o Materialismo terá dado socorro moral para que se liberte do cipoal do sofrimento, nós, os espíritas, aceitaremos o repto.

Profundo silêncio caiu na pequena assembléia, e, porque o autor da proposição baixasse a cabeça, Bezerra em prece comovente, agradeceu a Deus as bênçãos da fé e encerrou a sessão.

Bezerra de Menezes desencarnou em 11 de abril de 1900.


Trecho do filme: http://www.youtube.com/watch?v=OOPHmJpVSDk&feature=related

Retirado de: http://www.cetj.org.br/home1/picofday.php?pic=17

O capitalismo e a vaca.



CAPITALISMO IDEAL:
Você em duas vacas.Vende uma e compra um touro.Eles se multiplicam, e a economia cresce.Você vende o rebanho e aposenta-se, rico!

CAPITALISMO AMERICANO:
Você tem duas vacas.Vende uma e força a outra a produzir leite de quatro vacas.Fica surpreso quando ela morre.


CAPITALISMO JAPONÊS:
Você tem duas vacas.Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite.Depois cria desenhinhos de vacas chamados Vaquimon e os vende para o mundo inteiro.

CAPITALISMO BRITÂNICO:
Você tem duas vacas.As duas são loucas.




CAPITALISMO HOLANDÊS:
Você tem duas vacas.Elas vivem juntas, não gostam de touros e tudo bem.




CAPITALISMO ALEMÃO:
Você tem duas vacas.Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horário previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa. Mas o que você queria mesmo era criar porcos.

CAPITALISMO RUSSO:
Você tem duas vacas.Conta-as e vê que tem cinco.Conta de novo e vê que tem 42.Conta de novo e vê que tem 12 vacas.Você para de contar e abre outra garrafa de vodka.



CAPITALISMO SUÍÇO:
Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua.Você cobra para guardar a vaca dos outros.



CAPITALISMO ESPANHOL:
Você tem muito orgulho de ter duas vacas.



CAPITALISMO PORTUGUÊS:
Você tem duas vacas.E reclama porque seu rebanho não cresce…



CAPITALISMO ITALIANO:
Você tem duas vacas. Uma é sua esposa e a outra é sua sogra. Porca miséria!



CAPITALISMO HINDU:
Você tem duas vacas.Ai de quem tocar nelas.



CAPITALISMO ARGENTINO:
Você tem duas vacas.Você se esforça para ensinar as vacas mugirem em inglês…As vacas morrem.Você entrega a carne delas para o churrasco de fim de ano ao FMI.



CAPITALISMO BRASILEIRO:
Você tem duas vacas.Uma delas é roubada.O governo cria a CCPV- Contribuição Compulsória pela Posse de Vaca.Um fiscal vem e te autua, porque embora você tenha recolhido corretamente a CCPV, o valor era pelo número de vacas presumidas (duas) e não pelo de vacas reais (uma).A Receita Federal, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões, presume que você tenha 200 vacas e para se livrar da encrenca, você dá a vaca restante para o fiscal deixar por isso mesmo…


Copiado de: http://www.geogordo2.blogspot.com/

28 de out de 2008

Liberdade, Igualdade e Fraternidade.



Vejo por aí reclamações diárias, pessoas criando conflitos e fazendo casos com pequenices, tomadas pela falta do que falar e do que pensar. Observo também o peso do individualismo, do egoísmo e da inveja, que fazem com que as pessoas se sintam incomodadas (com elas mesmas) e não enxerguem o melhor que há em tudo. Não estamos sozinhos. Não vivemos sozinhos. Não crescemos sozinhos. Precisamos encontrar o melhor em cada pessoa para poder achar o melhor em nós mesmos. Temos que aprender a viver como irmãos, e não como adversários. Devemos erguer a cabeça e mostrar quem somos, respeitar quem somos, enxergar quem a outra pessoa é, respeitar quem a outra pessoa é. Podemos viver na ilusão de que tudo é uma grande noitada e que um copo de cerveja mata a sede da vida, mas a realidade é dura e uma hora vamos sentir que a sede não passa e que a festa já não anima tanto quanto antes. Vemos, então, as injustiças do mundo... o menino que foi arrastado, o mendigo que foi morto por rapazes inconseqüentes, os pais que brigam, o amigo que percebemos não ser tão amigo assim, a repressão, o medo... Perguntaremos, desolados, a ele: "De que vale então essa sua realidade, se a justiça fracassa, a desonestidade impera e aqueles que conservam a fé acabam se dando mal?" [*] , e ele nos responderá: "Nunca lhe prometi um jardim de rosas, nunca lhe prometi a justiça ideal." [*] E, só quando entendermos o real significado dessa resposta, conseguiremos compreender o porquê de estarmos aqui e por que é tão difícil a convivência com as outras pessoas. A hipocrisia ainda existe e vamos ver muito pseudo-sábios e pseudo-confiantes e (sinto-lhes informar) acreditaremos neles. Confiaremos e seguiremos, até encontrarmos nossas próprias respostas. Somos nós os responsáveis por fazer os nossos dias felizes ou solitários. Só nós mesmos podemos achar o nosso jardim de rosas e só nos daremos conta de que ele está dentro de nós mesmos quando procurarmos pelos quatro cantos do mundo e voltarmos para casa, em busca de algum consolo. Caímos. Não podemos evitar as quedas. A justiça ideal não consiste em não cair. Sofremos. Não podemos evitar as desilusões. A justiça ideal não consiste em ser feliz todo o tempo. Procuramos por respostas e encontramos mais perguntas. Procuramos por convicções e achamos mais incertezas. Trilhamos um caminho rumo a não-sei-onde-vai-dar, cheio de armadilhas e refúgios. Retornos? Só se for em marcha ré, mas com tanta gente que vai estar atrás, você vai acabar voltando ao mesmo ponto. Somos como a fênix, morrendo para renascer das cinzas. Matamos quem éramos para sermos quem somos. E mudamos. Melhoramos. E, no fim, quando tivermos chegado ao ponto supremo, descubriremos que não somos mais apenas nós mesmos. Seremos cada pedacinho das pessoas que encontrarmos em nosso caminho, seremos cada planta que cultivarmos, seremos cada detalhe que construímos. Seremos tão nós mesmos a ponto de sermos cada um que passa por nossas vidas. Aprenderemos, finalmente, que não estamos sozinhos, que não vivemos sozinhos, que não crescemos sozinhos e que não somos nós mesmos sozinhos. Não somos nós mesmos sozinhos. Nós somos o nada. E, ao mesmo tempo, o tudo.


Por Livia T. Leal.


[*] Trecho retirado do livro "Nunca Lhe Prometi Um Jardim de Rosas", de Hannah Green.

Blue Eyes - Jane Elliott


A professora e socióloga Jane Elliott ganhou um Emmy pelo documentário de 1968 "The Eye of the Storm", em que aplicou um exercício de discriminação em uma sala de aula da terceira série, baseada na cor dos olhos das crianças. Hoje aposentada, aplica workshops sobre racismo para adultos. "Olhos Azuis" é a documentação de um desses workshops em que o exercício de discriminação pela cor dos olhos também foi aplicado. O objetivo do exercício é colocar pessoas de olhos azuis na pele de uma pessoa negra por um dia. Para isso, ela rotula essas pessoas, baseando-se apenas na cor dos olhos, com todos rótulos negativos usados contra mulheres, pessoas negras, homossexuais, pessoas com deficiências físicas e todas outras que sejam diferentes fisicamente. Numa palestra com um auditório lotado, ela pergunta: "Se algum branco gostaria de receber o mesmo tratamento dados aos cidadãos negros em nossa sociedade, levante-se. (...) Ninguém se levantou. Isso deixa claro que vocês sabem o que está acontecendo. Vocês não querem isso para vocês. Quero saber por que, então, aceitam isso e permitem que aconteça com os outros."




Simplesmente fascinante.
É incrível como valores arcaicos e totalmente fora de sintonia com o contexto atual ainda permanecem enraizados na sociedade. Seria hipocrisia dizer que não os possuo, que estou livre deles. No entanto, luto contra eles dia após dia e procuro mostrar a mim mesma e às pessoas que estão ao meu redor a estupidez de criar esteriótipos a partir da cor da pele, da religião, da etnia. Procuro me livrar dessa influência estúpida que a mim foi concedida desde o meu nascimento, mesmo que isso signifique abdicar de certas coisas. Graças a pessoas como Jane Elliott, me sinto motivada a fazer o máximo que puder para transformar o mundo, para mostrar que ainda temos muito o que aprender. E é exatamente essa a importância do documentário. Para mim, a parte mais marcante é quando o homem diz: “Eu acho muito difícil que uma pessoa possa mudar alguma coisa.”, e Jane responde: “Eu mudei você de alguma forma? Quantas pessoas você acha que eu sou?” Vale a pena ver.

Onde encontrar.

Parte 1 – http://www.youtube.com/watch?v=bJLmP7s-7Gw
Parte 2 – http://www.youtube.com/watch?v=OwfUeMIGfdk
Parte 3 – http://www.youtube.com/watch?v=P6GcLu9h_Zw
Parte 4 – http://www.youtube.com/watch?v=2OMF29mCdPM
Parte 5 – http://www.youtube.com/watch?v=JvLqfrffIN8
Parte 6 – http://www.youtube.com/watch?v=Yu0C8mjufmg
Parte 7 – http://www.youtube.com/watch?v=lQ3U8wp9ncU
Parte 8 – http://www.youtube.com/watch?v=Tmjk6vimwto
Parte 9 – http://www.youtube.com/watch?v=_ywUhVu3pKg
Parte 10 – http://www.youtube.com/watch?v=nSba16NE1h4
Parte 11 – http://www.youtube.com/watch?v=YLgtEu2q0ec
Parte 12 – http://www.youtube.com/watch?v=OUaT1QWxRo8

23 de out de 2008


Bob Marley levou um tiro uma noite antes de um concerto na Jamaica. Encontrava-se quase em coma e ainda assim, numa cadeira de rodas, foi dar o seu concerto numa campanha em promoção da paz. No fim do concerto, quando foi questionado por que o tinha feito, respondeu: “As pessoas que querem fazer deste mundo um lugar pior não descansam, por que eu vou descansar?”.

Dispensa comentários.

Aos meus heróis - Julinho Marassi & Gutemberg

Faz muito tempo que eu não escrevo nada,
Acho que foi porque a TV ficou ligada
Me esqueci que devo achar uma saída
E usar palavras pra mudar a sua vida.

Quero fazer uma canção mais delicada,
Sem criticar, sem agredir, sem dar pancada,
Mas não consigo concordar com esse sistema
E quero abrir sua cabeça pro meu tema

Que fique claro, a juventude não tem culpa.
É o eletronic fundindo a sua cuca.
Eu também gosto de dançar o pancadão,
Mas é saudável te dar outra opção.

Os meus heróis estão calados nessa hora,
Pois já fizeram e escreveram a sua história.
Devagarinho vou achando meu espaço
E não me esqueço das riquezas do passado.

Eu quero “a benção” de Vinícius de Morais,
O Belchior cantando “como nossos pais”,
E “se eu quiser falar com...” Gil sobre o Flamengo,
“O que será” que o nosso Chico tá escrevendo.

Aquelas "rosas” já “não falam” de Cartola
E do Cazuza “te pegando na escola”.
To com saudades de Jobim com seu piano,
Do Fábio Jr. Com seus “20 e poucos anos”.

Se o Renato teve seu “tempo perdido”,
O Rei Roberto “outra vez” o mais querido.
A “agonia” do Oswaldo Montenegro
Ao ver que a porta já não tem mais nem segredos.

Ter tido a “sorte” de escutar o Taiguara
E “Madalena” de Ivan Lins, beleza rara.
Ver a “morena tropicana” do Alceu,
Marisa Monte me dizendo ”beija eu”
Beija eu, Beija eu Deixa que eu seja eu
Beija eu, beija eu deixa qe eu seja eu

O Zé Rodriques em sua “casa no campo”
Levou Geraldo pra cantar no “dia branco”.
No “chão de giz” do Zé Ramalho eu escrevi
Eu vi Lulu, Benjor, Tim Maia e Rita Lee.

Pedir ao Beto um novo “sol de primavera”,
Ver o Toquinho retocando a “aquarela”,
Ouvir o Milton “lá no clube da esquina”
Cantando ao lado da rainha Elis Regina.

Quero “sem lenço e documento” o Caetano
O Djavan mostrando a cor do “oceano”.
Vou “caminhando e cantando” com o Vandré
E a outra vida, Gonzaguinha, “o que é?”

Atenção DJ faça a sua parte,
Não copie os outros, seja mais “smart”.
Na rádio ou na pista mude a seqüência,
Mexa com as pessoas e com a consciência.

Se você não toca letra inteligente
Fica dominada, limitada a mente.
Faça refletir DJ, não se esqueça,
Mexa o popozão, mas também a cabeça.


"Essa música foi feita por saudade."

Engenheiros do Hawaí



Um dia me disseram
Que as nuvens não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos às vezes erram a direção
E tudo ficou tão claro
Um intervalo na escuridão
Uma estrela de brilho raro
Um disparo para um coração...

A vida imita o vídeo
Garotos inventam um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez...

Somos quem podemos ser...
Sonhos que podemos ter...

Um dia me disseram
Quem eram os donos da situação
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem essa prisão
E tudo ficou tão claro
O que era raro, ficou comum
Como um dia depois do outro
Como um dia, um dia comum...

Quem ocupa o trono tem culpa
Quem oculta o crime também
Quem duvida da vida tem culpa

Quem evita a dúvida também tem...

14 de out de 2008

Bellum


Bellum dulce inexpertes
(Bem parece a guerra para quem nunca esteve nela.)

Rosa de Hiroshima - Ney Matogrosso


Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada

La Nuova Gioventú


- Que tumulto é esse aqui no pilotis?
- Ah, é a efervescência juvenil. A concentração da estudantada.
- Choppada?
- Isso aí.


É... acho que nasci na época errada.

7 de out de 2008

Abraço eterno


Arqueólogos descobriram na Itália um casal enterrado entre 5000 e 6000 anos atrás.

E esse eterno abraço me pôs a pensar na vida, na morte, e em todos os espaços ocos que ficam entre essas duas. Para mim, essa imagem traduz simplesmente o vazio, o inexprimível. Essa é a verdadeira eternidade, aquela que dura segundos, mas permanece por séculos, milênios. O instante permanece. Ele vive nessa imagem e se transmite a todos que puderem olhá-la sem medo. O instante vive, eles vivem, porque esses segundos são eternos, porque eles são eternos, e essa eternidade irradia sentimento, um sentimento de vazio. Um vazio que é o sentimento em si.


Fonte: http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2007/02/06/294471109.asp

29 de set de 2008

O Rappa




A minha alma
Tá armada e apontada
Para cara do sossego
Pois paz sem voz
Paz sem voz
Não é paz é medo

As vezes eu falo com a vida
As vezes é ela quem diz:
"Qual a paz
Que eu não quero conservar
Pra tentar ser feliz?"

As grades do condomínio
São pra trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão...

Me abrace e me dê um beijo
Faça um filho comigo
Mas não me deixe sentar
Na poltrona no dia
De domingo

Procurando novas drogas
De aluguel
Neste vídeo coagido
É pela paz
Que eu não quero seguir
Admitido...

Secos e Molhados



Mulher barriguda que vai ter menino
Qual destino que ele vai ter?
O que será ele quando crescer?

Haverá guerra ainda
Tomara que não
Mulher barriguda, tomara que não!

15 de set de 2008

Lindsey Rocha


Abrace. Grite. Veja o que dança num corpo que só se aquieta. Sinta o percurso da farpa na garganta. Onde vai dar. Que sentidos rasgará. Eu abraço. Eu grito. Gemo. Tremo. Quebro os copos. Lavo roupa. Sou pessoa não letra. Quero tombo. Bofetada. Força. Quero não. Eu suplico. Eu quero que valha a pena suplicar. Percorro. Busco. Eu morro mas não morna. Sussurre. Deslize. Sinta a farpa sob a pele, entre o sangue, como agulha perdida no organismo, ou pó-de-vidro para só apenas nada mais que um dia de vida. Mas de vida.

Sorriso sem nome – Lindsey Rocha


Ontem um menino aprendeu a andar de bicicleta com cinco anos. Pela primeira vez na vida eu vi um menino com aquele sorriso sem nome pedalando um rosto de cinco anos. Também os pneus sorriam na calçada. E dois amiguinhos também sorriam de bicicleta. Dois amiguinhos que ajudaram a construir vento num rosto de cinco anos com bicicleta. Aquele sorriso não tinha nome, mas continha o rosto dos três. Acho que entre crianças há mais amigos. Entre adultos vai ficando bem mais longe pedalar a vitória alheia.

Cem anos de perdão - Clarice Lispector


Quem nunca roubou não vai me entender. E quem nunca roubou rosas, então é que jamais poderá me entender. Eu, em pequena, roubava rosas.
Havia em Recife inúmeras ruas, as ruas dos ricos, ladeadas por palacetes que ficavam no centro de grandes jardins. Eu e uma amiguinha brincávamos muito de decidir a quem pertenciam os palacetes. "Aquele branco é meu." "Não, eu já disse que os brancos são meus." Parávamos às vezes longo tempo, a cara imprensada nas grades, olhando.

Começou assim. Numa dessas brincadeiras de "essa casa é minha", paramos diante de uma que parecia um pequeno castelo. No fundo via-se o imenso pomar. E, à frente, em canteiros bem ajardinados, estavam plantadas as flores.

Bem, mas isolada no seu canteiro estava uma rosa apenas entreaberta cor-de-rosa-vivo. Fiquei feito boba, olhando com admiração aquela rosa altaneira que nem mulher feita ainda não era. E então aconteceu: do fundo de meu coração, eu queria aquela rosa para mim. Eu queria, ah como eu queria. E não havia jeito de obtê-la. Se o jardineiro estivesse por ali, pediria a rosa, mesmo sabendo que ele nos expulsaria como se expulsam moleques. Não havia jardineiro à vista, ninguém. E as janelas, por causa do sol, estavam de venezianas fechadas. Era uma rua onde não passavam bondes e raro era o carro que aparecia. No meio do meu silêncio e do silêncio da rosa, havia o meu desejo de possuí-la como coisa só minha. Eu queria poder pegar nela. Queria cheirá-la até sentir a vista escura de tanta tonteira de perfume.

Então não pude mais. O plano se formou em mim instantaneamente, cheio de paixão. Mas, como boa realizadora que eu era, raciocinei friamente com minha amiguinha, explicando-lhe qual seria o seu papel: vigiar as janelas da casa ou a aproximação ainda possível do jardineiro, vigiar os transeuntes raros na rua. Enquanto isso, entreabri lentamente o portão de grades um pouco enferrujadas, contando já com o leve rangido. Entreabri somente o bastante para que meu esguio corpo de menina pudesse passar. E, pé ante pé, mas veloz, andava pelos pedregulhos que rodeavam os canteiros. Até chegar à rosa foi um século de coração batendo.

Eis-me afinal diante dela. Para um instante, perigosamente, porque de perto ela é ainda mais linda. Finalmente começo a lhe quebrar o talo, arranhando-me com os espinhos, e chupando o sangue dos dedos.

E, de repente - ei-la toda na minha mão. A corrida de volta ao portão tinha também de ser sem barulho. Pelo portão que deixara entreaberto, passei segurando a rosa. E então nós duas pálidas, eu e a rosa, corremos literalmente para longe da casa.

O que é que fazia eu com a rosa? Fazia isso: ela era minha.

Levei-a para casa, coloquei-a num copo d'água, onde ficou soberana, de pétalas grossas e aveludadas, com vários entretons de rosa-chá. No centro dela a cor se concentrava mais e seu coração quase parecia vermelho.

Foi tão bom.

Foi tão bom que simplesmente passei a roubar rosas. O processo era sempre o mesmo: a menina vigiando, eu entrando, eu quebrando o talo e fugindo com a rosa na mão. Sempre com o coração batendo e sempre com aquela glória que ninguém me tirava.

Também roubava pitangas. Havia uma igreja presbiteriana perto de casa, rodeada por uma sebe verde, alta e tão densa que impossibilitava a visão da igreja. Nunca cheguei a vê-la, além de uma ponta de telhado. A sebe era de pitangueira. Mas pitangas são frutas que se escondem: eu não via nenhuma. Então, olhando antes para os lados para ver se ninguém vinha, eu metia a mão por entre as grades, mergulhava-a dentro da sebe e começava a apalpar até meus dedos sentirem o úmido da frutinha. Muitas vezes na minha pressa, eu esmagava uma pitanga madura demais com os dedos que ficavam como ensangüentados. Colhia várias que ia comendo ali mesmo, umas até verdes demais, que eu jogava fora.

Nunca ninguém soube. Não me arrependo: ladrão de rosas e de pitangas tem 100 anos de perdão. As pitangas, por exemplo, são elas mesmas que pedem para ser colhidas, em vez de amadurecer e morrer no galho, virgens.

O ensino na Bruzundanga - Lima Barreto

Já vos falei na nobreza doutoral desse país; é lógico, portanto, que vos fale do ensino que é ministrado nas suas escolas, donde se origina essa nobreza. Há diversas espécies de escolas mantidas pelo governo geral, pelos governos provinciais e por particulares. Estas últimas são chamadas livres e as outras oficiais, mas todas elas são equiparadas entre si e os seus diplomas se equivalem. Os meninos ou rapazes, que se destinam a elas, não têm medo absolutamente das dificuldades que o curso de qualquer delas possa apresentar. Do que eles têm medo, é dos exames preliminares. De forma que os filhos dos poderosos fazem os pais desdobrar bancas de exames, pôr em certas mesas pessoas suas, conseguindo aprovar os pequenos em aritmética sem que ao menos saibam somar frações, outros em francês sem que possam traduzir o mais fácil autor. Com tais manobras, conseguem sair-se da alhada e lá vão, cinco ou seis anos depois, ocupar gordas sinecuras com a sua importância de "doutor".

Há casos tão escandalosos que, só em contá-los, metem dó.

Passando assim pelo que nós chamamos preparatórios, os futuros diretores da República dos Estados Unidos da Bruzundanga acabam os cursos mais ignorantes e presunçosos do que quando para lá entraram. São esses tais que berram: "Sou formado! Está falando com um homem formado!"

Ou senão quando alguém lhes diz:

- "Fulano é inteligente, ilustrado...", acode o homenzinho logo:

- É formado?

- Não.

- Ahn!

Raciocina ele muito bem. Em tal terra, quem não arranja um título como ele obteve o seu, deve ser muito burro, naturalmente.

Há outros, espertos e menos poderosos, que empregam o seguinte truc. Sabem, por exemplo, que, na província das Jazidas, os exames de matemática elementar são mais fáceis. Que fazem eles? Inscrevem-se nos exames de lá, partem e voltam com as certidões de aprovação.

Continuam eles nessas manobras durante o curso superior. Em tal Escola são mais fáceis os exames de tais matérias. Lá vão eles para a tal escola, freqüentam o ano, decoram os pontos, prestam ato e, logo aprovados, voltam correndo para a escola ou faculdade mais famosa, a fim de receberem o grau. O ensino superior fascina todos na Bruzundanga. Os seus títulos, como sabeis, dão tantos privilégios, tantas regalias, que pobres e ricos correm para ele. Mas só são três espécies que suscitam esse entusiasmo: o de médico, o de advogado e o de engenheiro.

Houve quem pensasse em torná-los mais caros, a fim de evitar a pletora de doutores. Seria um erro, pois daria o monopólio aos ricos e afastaria as verdadeiras vocações. De resto, é sabido que os lentes das escolas daquele país são todos relacionados, têm negócios com os potentados financeiros e industriais do país e quase nunca lhes reprovam os filhos.

Extinguir-se as escolas seria um absurdo, pois seria entregar esse ensino a seitas religiosas, que tomariam conta dele, mantendo-lhe o prestigio na opinião e na sociedade.

Apesar de não ser da Bruzundanga, eu me interesso muito por ela, pois lá passei uma grande parte da minha meninice e mocidade.

Meditei muito sobre os seus problemas e creio que achei o remédio para esse mal que é o seu ensino. Vou explicar-me sucintamente.

O Estado da Bruzundanga, de acordo com a sua carta constitucional, declararia livre o exercício de qualquer profissão, extinguindo todo e qualquer privilégio de diploma.

Feito isso, declararia também extintas as atuais faculdades e escolas que ele mantém.

Substituiria o atual ensino seriado, reminiscência da Idade Média, onde, no trivium, se misturava a gramática com a dialética e, no quadrivium, a astronomia e a geometria com a música, pelo ensino isolado de matérias, professadas pelos atuais lentes, com os seus preparadores e laboratórios.

Quem quisesse estudar medicina, freqüentaria as cadeiras necessárias à especialidade a que se destinasse, evitando as disciplinas que julgasse inúteis.

Aquele que tivesse vocação para engenheiro de estrada de ferro, não precisava estar perdendo tempo estudando hidráulica. Freqüentaria tão-somente as cadeiras de que precisasse, tanto mais que há engenheiros que precisam saber disciplinas que até bem pouco só se exigiam dos médicos, tais como os sanitários; médicos - os higienistas - que têm de atender a dados de construção, etc.; e advogados a estudos de medicina legal.

Cada qual organizaria o programa do seu curso, de acordo com a especialidade da profissão liberal que quisesse exercer, com toda a honestidade e sem as escoras de privilégio ou diploma todo poderoso.

Semelhante forma de ensino, evitando o diploma e os seus privilégios, extinguiria a nobreza doutoral; e daria aos jovens da Bruzundanga mais bonestidade no estudo, mais segurança nas profissões que fossem exercer, com a força que vem da concorrência entre homens de valor e inteligência nas carreiras que seguem.

11 de set de 2008

Até Quando? - Gabriel o Pensador


Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro.

Você se importa?


O abutre espera pacientemente o momento para atacar o corpo em agonia de uma criança sudanesa. O fotógrafo, também predador, espera um momento certo para o disparo que garanta o maior dramatismo, o maior impacto à imagem.
Esperam.
Esperam ambos.
No impasse, o fotógrafo desiste, capta a espera do outro e vai-se embora. Esta fotografia valeu ao sul-africano Kevin Carter um prémio Pulitzer em 1994. Desde que foi publicada na capa do New York Times, transformou-se no seu maior pesadelo. Para onde quer que se voltasse soava a pergunta: - “e depois, o que é que fizeste para ajudar a criança?”. Carter não fez nada e essa decisão acabou por lhe toldar a lucidez e levá-lo ao suicídio.



E nós? E nós que vemos? O que faremos?

Foto retirada de http://xicoriasexicoracoes.wordpress.com/2007/05/16/as-fotos-mais-vistas-do-mundo/

29 de ago de 2008

Muito Além do Cidadão Kane


Documentário de Simon Hartog, produzido em 1993 pelo Channel 4 para a BBC. O documentário discute o poder da Rede Globo e teve sua exibição proibida no Brasil.

Vale a pena assistir. O documentário é bastante esclarecedor e reflete o poder de dominação que a Rede Globo conquistou no cenário nacional, mostrando toda a política que está "por trás dos panos".

O documentário pode ser visto no site:

http://video.google.com/videoplay?docid=-570340003958234038&q=rede+globo

Charles Chaplin - The Bond (1918)



Com seu jeito cativante, Chaplin conseguiu reunir a história do homem, seus medos, seus anseios, seus objetivos e defeitos de forma cômica, muitas vezes beirando a ironia, cativando tanta gente até mesmo nos dias atuais. Com um senso crítico extremamente apurado e uma visão à frente de seu tempo, ele pôde fazer o (quase) impossível: transformar em sorriso e esperança os males do homem.
Nesse curta, "The Bond", Chaplin realiza uma verdadeira análise do comportamento humano em sociedade, dando ênfase aos laços que aproximam os homens. Por fim, ganham destaque os laços de Liberdade, pelos quais ele luta de forma segura e decidida, dando um basta à opressão e à dominação. No mínimo, genial.

Clique aqui para ver o curta.

Chico Xavier


"Religião, para todos os homens, deveria compreender-se como sentimento divino que clarifica o caminho das almas e que cada espírito aprenderá na pauta do seu nível evolutivo. Porém, na inquietação que lhes caracteriza a existência na Terra, os homens se dividiram em numerosas religiões, como se a fé também pudesse ter fronteiras."

28 de ago de 2008

...

An Inconvenient Truth


Clique na imagem para ver.

Se você quer a paz, prepare-se para a guerra.

Drummond...


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Um pouco da ironia de Veríssimo





Tudo o que está acontecendo estava previsto e seguiu uma lógica implacável. A radical mudança na política econômica do país após a posse do Lula, com a ortodoxia monetarista do governo Fernando Henrique dando lugar a uma política desenvolvimentista que prioriza o social, provocou uma forte reação do capital internacional e este, aliado aos banqueiros e à classe rentista nacionais que viram seus privilégios desaparecerem, a uma casta industrial acuada pela nova força do operariado com um ex-torneiro mecânico na Presidência, a uma aristocracia rural apavorada com uma reforma agrária agora para valer e a uma elite senhorial inconformada com os erros gramaticais do poder, dedicou-se a desestabilizar o governo, supervalorizando denúncias de corrupção e desencadeando uma campanha contra Lula inédita na sua virulência e... Espera um pouquinho. Acho que estou lendo a projeção errada. [...]



A todos que acreditaram.

26 de ago de 2008

Ouvir estrelas - Olavo Bilac


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizes, quando não estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".

3 de jul de 2008

Por não estarem distraídos - Clarice Lispector


Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água de les, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

14 de abr de 2008




“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que eu tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha; mas, havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; Porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; Mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos como por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.”



(Coríntios I, capítulos 13 e 14)

1 de abr de 2008

Olhos verdes - Gonçalves Dias



São uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos de verde-mar,
Quando o tempo vai bonança;
Uns olhos cor de esperança,
Uns olhos por que morri;
Que ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Como duas esmeraldas,
Iguais na forma e na cor,
Têm luz mais branda e mais forte,
Diz uma — vida, outra — morte;
Uma — loucura, outra — amor.
Mas ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

São verdes da cor do prado,
Exprimem qualquer paixão,
Tão facilmente se inflamam,
Tão meigamente derramam
Fogo e luz do coração;
Mas ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

São uns olhos verdes, verdes,
Que podem também brilhar;
Não são de um verde embaçado,
Mas verdes da cor do prado,
Mas verdes da cor do mar.
Mas ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Como se lê num espelho,
Pude ler nos olhos seus!
Os olhos mostram a alma,
Que as ondas postas em calma
Também refletem os céus;
Mas ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Dizei vós, ó meus amigos,
Se vos perguntam por mi,
Que eu vivo só da lembrança
De uns olhos cor de esperança,
De uns olhos verdes que vi
Que ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Dizei vós: Triste do bardo!
Deixou-se de amor finar!
Viu uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos da cor do mar:
Eram verdes sem esp'rança,
Davam amor sem amar!
Dizei-o vós, meus amigos,
Que ai de mi!
Não pertenço mais à vida
Depois que os vi!

Um pouco de Camões



a este moto alheio:

Minina dos olhos verdes,
porque me não vedes?

Voltas

Eles verdes são,
e têm por usança
na cor, esperança
e nas obras, não.
Vossa condição
não é d'olhos verdes,
porque me não vedes.

Isenções a molhos
que eles dizem terdes,
não são d'olhos verdes,
nem de verdes olhos.
Sirvo de giolhos,
e vós não me credes
porque me não vedes.

Haviam de ser,
porque possa vê-los,
que uns olhos tão belos
não se hão-de esconder;
mas fazeis-me crer
que já não são verdes,
porque me não vedes.

Verdes não o são
no que alcanço deles;
verdes são aqueles
que esperança dão.
Se na condição
está serem verdes,
porque me não vedes?

31 de mar de 2008

O amor que choveu - Antonio Prata




Era uma vez um menino que amava demais. Amava tanto, mas tanto, que o amor nem cabia dentro dele. Saía pelos olhos, brilhando, pela boca, cantando, pelas pernas, tremendo, pelas mãos, suando. (Só pelo umbigo é que não saía: o nó ali é tão bem dado que nunca houve um só que tenha soltado).
O menino sabia que o único jeito de resolver a questão era dando o amor à menina que amava. Mas como saber o que ela achava dele? Na classe, tinha mais quinze meninos. Na escola, trezentos. No mundo, vai saber, uns dois bilhões? Como é que ia acontecer de a menina se apaixonar justo por ele, que tinha se apaixonado por ela?
O menino tentou trancar o amor numa mala, mas não tinha como: nem sentando em cima o zíper fechava. Resolveu então congelar, mas era tão quente, o amor, que fundiu o freezer, queimou a tomada, derrubou a energia do prédio, do quarteirão e logo o menino saiu andando pela cidade escura — só ele brilhando nas ruas, deixando pegadas de Star Fix por onde pisava.
O que é que eu faço? — perguntou ao prefeito, ao amigo, ao doutor e a um pessoalzinho que passava a vida sentado em frente ao posto de gasolina. Fala pra ela! — diziam todos, sem pensar duas vezes, mas ele não tinha coragem. E se ela não o amasse? E se não aceitasse todo o amor que ele tinha pra dar? Ele ia murchar que nem uva passa, explodir como bexiga e chorar até 31 de dezembro de 2978.
Tomou então a decisão: iria atirar seu amor ao mar. Um polvo que se agarrasse a ele — se tem oito braços para os abraços, por que não quatro corações, para as suas paixões? Ele é que não dava conta, era só um menino, com apenas duas mãos e o maior sentimento do mundo.
Foi até a beira da praia e, sem pensar duas vezes, jogou. O que o menino não sabia era que seu amor era maior do que o mar. E o amor do menino fez o oceano evaporar. Ele chorou, chorou e chorou, pela morte do mar e de seu grande amor.Até que sentiu uma gota na ponta do nariz. Depois outra, na orelha e mais outra, no dedão do pé. Era o mar, misturado ao amor do menino, que chovia do Saara à Belém, de Meca à Jerusalém. Choveu tanto que acabou molhando a menina que o menino amava. E assim que a água tocou sua língua, ela saiu correndo para a praia, pois já fazia meses que sentia o mesmo gosto, o gosto de um amor tão grande, mas tão grande, que já nem cabia dentro dela.


Retirado de http://www.jovensescribas.com.br/?author=4

16 de fev de 2008



Olá, como vai?
Eu vou indo e você, tudo bem?
Tudo bem, eu vou indo, correndo
Pegar meu lugar no futuro e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranqüilo, quem sabe...
Quanto tempo...
Pois é, quanto tempo...
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios...
Qual, não tem de quê?
Eu também só ando a cem...
Quando é que você telefona
Precisamos nos ver por aí...
Pra semana prometo, talvez
Nos vejamos, quem sabe...
Quanto tempo...
Pois é, quanto tempo...
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas me foge a lembrança...
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa rapidamente...
Pra semana...
O sinal...
Eu procuro você
Vai abrir, vai abrir...
Por favor, não esqueça
Não esqueço, não esqueço
Prometo, não esqueço...
Não esqueça, não esqueça
Adeus...
Adeus...

27 de jan de 2008

Arthur da Távola


Tenho visto muito amor por aí, Amores mesmo, bravios, gigantescos, excomungais, profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e dádiva, mas esbarram na dificuldade de se tornar bonito. Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados, tratados com carinho, cuidado e atenção. Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras. Aí esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais de repente se perceberam ameaçados apenas e tão somente porque não sabem ser bonitos: cobram; exigem; rotinizam; descuidam; reclamam; deixam de compreender; necessitam mais do que oferecem; precisam mais do que atendem; enchem-se de razões. Sim, de razões. Ter razão é o maior perigo no amor. Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reivindicar, de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão. Nem queira. Ter razão é um perigo: em geral enfeia o amor, pois é invocado com justiça, mas na hora errada. Amar bonito é saber a hora de ter razão. Ponha a mão na consciência. Você tem certeza que está fazendo o seu amor bonito? De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do olhar, da saudade, da alegria do encontro, da dor do desencontro, a maior beleza possível? Talvez não. Cheio ou cheia de razões, você espera do amor apenas àquilo que é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez dele devesse pouco esperar, para valorizar melhor tudo de bom que de vez em quando ele pode trazer. Quem espera mais do que isso sofre, e sofrendo deixa de amar bonito. Sofrendo, deixa de ser alegre, igual criança. E sem soltar a criança, nenhum amor é bonito. Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia. Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama. Saia cantando e olhe alegre. Recomendam-se: encabulamentos; ser pego em flagrante gostando; não se cansar de olhar, e olhar; não atrapalhar a convivência com teorizações; adiar sempre, se possível com beijos, "aquela conversa importante que precisamos ter”, arquivar se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida. Para quem ama toda atenção é sempre pouca. Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda atenção possível. Quem ama bonito não gasta o tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter. Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como criança de nariz encostado na vitrine, cheia de brinquedos dos nossos sonhos): não teorize sobre o amor, ame. Siga o destino dos sentimentos aqui e agora. Não tenha medo exatamente de tudo o que você teme, como: a sinceridade; não dar certo; depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito); abrir o coração; contar a verdade do tamanho do amor que sente. Jogue pro alto todas as jogadas, estratagemas golpes, espertezas, atitudes sabidamente eficazes (não é sábio ser sabido): seja apenas você no auge de sua emoção e carência, exatamente aquele você que a vida impede de ser. Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs. Falando besteiras, mas criando sempre. Gaguejando flores. Sentindo o coração bater como no tempo do Natal infantil. Revivendo os carinhos que instruiu em criança. Sem medo de dizer, eu quero, eu gosto, eu estou com vontade. Talvez aí você consiga fazer o seu amor bonito, ou fazer bonito o seu amor, ou bonitar fazendo seu amor, ou amar fazendo o seu amor bonito (a ordem das frases não altera o produto), sempre que ele seja a mais verdadeira expressão de tudo o que você é e nunca, deixaram, conseguiu, soube, pôde, foi possível, ser. Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto. Não se preocupe mais com ele e suas definições. Cuide agora da forma. Cuide da voz. Cuide da fala. Cuide do cuidado. Cuide do carinho. Cuide de você. Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.

Fizeram a gente acreditar... - John Lennon


Fizeram a gente acreditar que um de nós é a metade de uma laranja. E que a vida só ganha sentido quando encontrarmos outra metade. Não nos contaram que já nascemos inteiros e que ninguém em nossas vidas merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta... A gente só cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada dois em um. Duas pessoas agindo igual, pensando igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem um nome: ANULAÇÃO. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados... Que os que transam poucos são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma formula para ser feliz, a mesma para todos. Não nos contaram que estas formulas são alienantes e que podemos tentar outras alternativas. Ah! Também não nos contaram que ninguém vai contar isto tudo pra gente, cada um vai descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.

Curriculum Vitae


Eu já dei risada até a barriga doer,
já nadei até perder o fôlego,
já chorei até dormir e acordei com o rosto desfigurado.
Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar,
já me queimei brincando com vela.
Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto,
já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora,
já passei trote por telefone, já tomei banho de chuva,
E acabei me viciando.
Já roubei beijo,
Já fiz confissões antes de dormir num quarto escuro pro melhor amigo.
Já confundi sentimentos,
Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro,
já me cortei fazendo a barba apressado,
já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas,
mas descobri que essas são as mais dificeis de se esquecer.
Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas,
já subi em árvore pra roubar fruta, já caí da escada de bunda.
Conheci a morte de perto, e agora anseio por viver cada dia.
Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola,
já chorei sentado no chão do banheiro,
já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante.
Já saí pra caminhar sem rumo, sem nada na cabeça, ouvindo estrelas.
Já corri pra não deixar alguém chorando,
já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e laranjado,
já me joguei na piscina sem vontade de voltar,
já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios,
já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso,
já quase morri de amor,
mas renasci novamente pro ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade,
já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre,
Mas sempre era um "para sempre" pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol,
já chorei por ver amigos partindo,
mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção.
guardados num baú, chamado coração.
E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita:
"- Qual sua experiência?"
Essa pergunta ecoa no meu cérebro:
"- experiência...experiência..."
Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência?
Não!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!


Smile,
Tough your heart is aching
Smile,
Even though it's breaking,
When there are clouds in the sky,
you'll get by
If you smile
Through your fears and sorrow, smile
And maybe tomorrow
You'll see the sun come shining through for you.
Light up your face with gladness,
Hide ev'ry trace of sadness,
Altho' a tear may be ever so near,
That's the time you must keep on trying,
Smile,
What's the use of crying,
You'll find that life is still worhwhile,
If you just smile.


Sorria, embora seu coração esteja doendo
Sorria, mesmo que ele esteja partido
Quando há nuvens no céu
Você sobreviverá...
Se você apenas sorri
Com seu medo e tristeza
Sorria e talvez amanhã
Você descobrirá que a vida ainda vale a pena se você apenas...
Ilumine sua face com alegria
Esconda todo rastro de tristeza
Embora uma lágrima possa estar tão próxima
Este é o momento que você tem que continuar tentando
Sorria, pra que serve o choro?
Você descobrirá que a vida ainda vale a pena
Se você apenas sorrir...


Música: Smile - Charles Chaplin